Estou eu, com um colega, me deliciando com os salgadinhos da vendinha da tia do lado da faculdade, enquanto tento fletar [palavra antiga, procura no Google] com uma mocinha que lá também estava, quando sou surpreendido por uma típica manifestação de pobreza de espírito humana: uma mãe de um aluno da escola vizinha berrava para nós, claro que ela estava apenas conversando em seu tom de voz natural.
Ela reclamava de escola, na qual eu já estudei, enquanto todos concordavam, talvez por educação. Só sei que a mocinha da paquera saiu totalmente de meus planos ao concordar com a mulher. A animada senhora [viva o eufemismo!] reclamava dos métodos da instituição. Afim de dividir minha náusea de forma mais parecida com o real, temo reproduzir em discurso indireto e acabar privar ao leitor algum detalhe. Pois bem, vou escrever em bom português montesclarence a fala da senhora:
“Isso é um absurdo! Meu filho ficou dois meses sem assistir aula e a professora de matemática quer aplicar prova? Ele faltou porque os meninos estavam falando que ele era retardado, fomos fui ao médico, e ele não tem nada. Agora ele falta por vagabundagem e a culpa é minha? Vou colocar ele pra repetir a oitava série, só pras professoras terem que agüentar ele mais um ano, já que ninguém mais o agüenta. Vou na secretaria de ensino reclamar dessas professoras. Mexeu com filho meu, eu viro onça mesmo!”
Pare o mundo que eu quero descer!!! O “filhinho” dela está na oitava série do ensino fundamental. Preciso comentar mais alguma coisa? A resposta é sim!
Quando penso que já perdi toda minha esperança neste país, chega outra mãe, provavelmente amiga da primeira. Reproduzo sua pérola do pensamento pseudopedagógico, bem no estilo “eu sei criar meus filhos”:
“Minha filha está chegando em casa toda machucada, vocês sabem que brincadeira de criança é empurrando mesmo. Cheguei lá na escola, tinha uma menina empurrando ela, ai eu disse: ‘empurra ela também, deixa de ser besta!’”.
Tive que sair correndo antes de ter um surto moralista em um lugar tão inapropriado. rsrsrs
Pare o mundo que eu quero descer!!!